Liliana
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Depois do pedido ao Iphan pró-reconhecimento do patrimônio cultural e do II Congresso Internacional da Hoasca, realizado em Brasília de 9 a 11 de maio pela União do Vegetal (UDV), o chá Hoasca é notícia mais uma vez, agora em contexto global. A Universidade de Heidelberg, Alemanha, considerada vanguarda do conhecimento acadêmico mundial, realiza neste final de semana a conferência “A Globalização da Ayahuasca – um psicoativo amazônico e seus usuários”.
De 16 a 18 de maio, pesquisadores da Universidade de Heidelberg vão receber informações das religiões hoasqueiras convidadas, entre elas, a União do Vegetal, representada por seu presidente, James Allen e o coordenador de relações institucionais, Edson Lodi, que também é membro do Grupo Multidisciplinar de Trabalho para assuntos relacionados ao chá Hoasca no Conselho Nacional Antidrogas (Conad), da Secretaria Nacional Antidrogas. A UDV embarcou para a Alemanha com um rico conteúdo, recém divulgado pelos palestrantes no II Congresso Internacional da Hoasca, no último final de semana.
Psicoativos - Os pesquisadores de Heidelberg já trabalham há seis anos em um projeto de pesquisas sobre o uso controlado de psicoativos. O objetivo é descobrir que contribuição o uso responsável dessas substâncias pode dar à saúde e ao bem-estar das pessoas. A conferência deste final de semana é parte de uma grande pesquisa, onde o foco atual é o uso integrado dos psicoativos. Neste ponto, a Hoasca ganha destaque e tem sido a substância de maior interesse da pesquisa, devido ao forte contexto filosófico e ritual em que é utilizada pelas religiões brasileiras.
Uso ritual - A importância do contexto religioso - o ritual e a orientação doutrinária - também chamou a atenção do cientista Charles Grob, da Universidade da Califórnia (UCLA). Ele estudou o efeito do chá nos adolescentes da UDV e, ao encerrar sua palestra no sábado (10), durante o II Congresso Internacional da Hoasca, enfatizou que a forma como a União do Vegetal utiliza a Hoasca é fundamental para os resultados positivos observados. Grob, que não tem vínculo com a UDV nem com a pesquisa de Heidelberg, finalizou apontando para um grande potencial de pesquisas que ainda podem ser feitas, neste sentido, e revelou-se estimulado pela abertura da religião em ser o objeto destes estudos.
Expansão - Em Heidelberg, o uso contextualizado da Hoasca será o foco para a discussão do fenômeno nos aspectos médico, psicológico e cultural, buscando compreender sua relevância para a sociedade moderna. James Allen observa que “há interesse dos pesquisadores na expansão mundial do uso religioso da Hoasca e como esta expansão está sendo acompanhada, nos seus aspectos legais e científicos”.
O pesquisador Henrik Jungaberle também assina o convite à UDV, onde expressa que a rede de informações que está se formando em torno do assunto é, para a pesquisa de Heidelberg, uma promessa e, para a humanidade, uma possibilidade.
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